Confira as tendências do mercado de energia para 2026

O setor elétrico brasileiro entra em 2026 vivenciando uma mudança de paradigma. Se os anos anteriores foram marcados pela expansão da geração renovável variável, o desafio do biênio reside na gestão da flexibilidade: fomentar soluções que garantam estabilidade sistêmica e novos modelos de rentabilização de ativos. 

Neste contexto, confira algumas tendências para o ano:  

1. BESS (Battery Energy Storage Systems): de backup a ativo estratégico 

A consolidação das baterias em larga escala é a principal destaque para este ano, impulsionada pela Lei 15.269/2025 e pelo primeiro leilão de reserva de capacidade focado em armazenamento. As baterias deixaram de ser apenas uma solução de nicho para se tornar o pilar da estabilidade da rede. 

Em termos de flexibilidade operacional, os sistemas de armazenamento possibilitam o energy arbitrage — compra de energia quando o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), valor utilizado para calcular as diferenças entre a energia contratada e a efetivamente consumida, está baixo e a venda quando está alto — além de fornecer suporte a serviços ancilares, essenciais para mitigar os cortes de geração.  

Quando o assunto é resiliência, a tecnologia das baterias de íon-sódio, que surgem como uma alternativa mais segura e sustentável às baterias de lítio, amplamente usadas em carros elétricos, por exemplo, alcançou escala comercial em 2026. Essa categoria de baterias possui potencial para impulsionar soluções em energias renováveis e armazenamento de energia, graças aos seus elevados padrões de densidade energética e segurança térmica nas plantas industriais. À medida que as pesquisas avançam, espera-se que essas baterias se tornem mais comuns em diversas aplicações, desde dispositivos eletrônicos até sistemas de energia limpa. 

2. A convergência mobilidade-energia 

A eletrificação da mobilidade não é mais apenas uma questão de infraestrutura de transporte, mas uma extensão da própria rede elétrica. O movimento de integração com fontes renováveis avança através da tecnologia Vehicle-to-Grid (V2G)

Neste modelo, as frotas elétricas atuam como ativos de armazenamento móveis, capazes de devolver energia para a rede em horários de pico. Para executivos do setor, isso representa a transição de um custo operacional de transporte para uma unidade de negócio que gera créditos de energia ou estabiliza o consumo de plantas industriais através da autoprodução

O Grupo EDF, com o apoio do Fundo Europeu de Inovação, vai implantar 800 estações de carregamento Vehicle-to-Grid em toda a Europa. Este projeto, que foi denominado EVVE (Valorização Ambiental do Armazenamento Virtual de Eletricidade), possibilita o desenvolvimento em larga escala do V2G. Contribuindo para a descarbonização do transporte, o projeto também potencializa o uso de energias renováveis. 

3. Descarbonização e novos modelos de negócio 

A busca por metas de Net Zero está impulsionando a demanda por soluções de baixo carbono que unem ativos físicos e instrumentos financeiros. Um dos destaques do ano são os PPAs estruturados e I-RECs. A oferta de Contratos de Compra e Venda de Energia (PPAs), que permitem que as empresas adquiram energia renovável diretamente de geradores, está indo além da previsibilidade de preços, se atrelando a rastreabilidade via I-RECs e créditos de carbono (CCO2)

4. Sustentabilidade e ESG 

A agenda ESG se consolida como vetor estratégico para os negócios das empresas de diferentes setores. As companhias estão buscando cada vez mais soluções que combinem geração renovável, eficiência energética e contratos estruturados para reduzir custos e riscos, ao mesmo tempo em que atendem as suas metas de sustentabilidade. 

5. Digitalização e Smart Grids 

A digitalização das redes elétricas e a adoção de soluções tecnológicas avançadas permitirão uma gestão mais eficiente e inteligente da energia. Os smart grids — redes inteligentes com automação e sistemas de monitoramento integrados — possibilitarão a otimização de custos, melhor previsão de demanda e resposta rápida a variações de consumo.

Já a implementação da digitalização nas empresas permite transformar dados em insights e dashboards em tempo real e criar simulação de cenários a fim de simplificar as tomadas de decisão e as tornar mais assertiva.  

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